quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Caminhada


Os dias chuvosos haviam cessado e ela resolveu caminhar pelas ruas, árvores e rostos da cidade. No caminhar pensava que poucas coisas proporcionavam um aconchego tão grande à alma quanto o cheiro da grama recém cortada.

Só queria andar, sem pensar, sem questionar, sem desejar. Tudo o que sentia estava sendo concentrado nos movimentos das pernas e na amplitude do olhar.
O entardecer estava bonito, agradável e protetor. A chuva incessante dos últimos dias havia lavado o cenário urbano que ela percorria. Tudo lembrava paz.
Na jornada se deparou com rostos, com pessoas, enfim, com vidas. Ah, estava interessante ausentar-se de si e enxergar outros.

Num certo momento olhou o céu: estava belo. Parecia-lhe que aquela imensidão azul representava fielmente o rosto bondoso de Deus. Contemplação boa!

Em meio a pernas cansadas, ruas, céu e rostos diferentes refletiu se caminhava pela cidade ou por dentro dela. Tudo se confundia num movimento sincrônico de pernas e existência.

(Juliana Lima de Souza - Turma de 2007 – Letras/ Espanhol – Unifran - Professora Municipal Prefeitura de Franca - EMEB Ana Rosa de Lima Barbosa­)

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