terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia do Livro


Leer, leer, leer, vivir la vida
que otros soñaron.
Leer, leer, leer, el alma olvida
las cosas que pasaron.
Se quedan las que quedan, las ficciones,
las flores de la pluma,
las solas, las humanas creaciones,
el poso de la espuma.
Leer, leer, leer; ¿seré lectura
mañana también yo?
¿Seré mi creador, mi criatura,
seré lo que pasó?

Miguel de Unamuno


quinta-feira, 11 de abril de 2013

Eu Poeta



Queria ser poeta, escrever versos ligeiros,
versos faceiros, que encantassem até mesmo os forasteiros,
Mas não sabia e pouco fazia,
Algo me impedia.

Ah, como eu queria, mas algo me impedia.
Fui apresentada a Oswald e Manuel Bandeira, quanta alegria.
E agora algo me dizia, avante, vais guria, ser poeta.
Fui ser, mas com Bandeira e Oswald.

Escrevia e nem relia, muito menos refletia.
Purismo? Nem o fazia, fragmentados? Assim poderia.
E com o dia a dia, meus versos escrevia.

Fui ser poeta, e assim sendo, aventurei-me.
E entre essas minhas aventuranças, descobri que o verdadeiro poeta, é aquele que deixa o coração falar.


Fernanda Ferreira Lima
Aluna de Letras - Português/Inglês em 2012

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Espalhando Alegria

Já é dia de domingo em Lisboa, cidade de construções antigas, um amontoado de casas e pequenos prédios. Os pássaros já estão a cantar alegremente, brincam pelo ar numa felicidade sem fim, o sino da igreja toca vorazmente, anunciando a chegada de um novo dia.  Pablo abre os olhos, senta-se na cama e se espreguiça, levanta lentamente e começa a se vestir.
Caminha até o banheiro, sonolento. Enquanto isso a chaleira já no fogo esquenta a água. Pablo pega uma xícara no escorredor de louças, dá uma conferida para ver se está limpa e coloca a água, olha dentro da pia e acha o saquinho do chá de ontem e fica feliz por não tê-lo jogado fora, cheira para ver se não está azedo, coloca-o dentro da xícara e vai para a janela.
Enquanto toma o chá, admira a paisagem e começa a pensar em sua vida, quando é interrompido pelos pássaros que estão brincando no ar. Pablo olha admirado para eles, acha graça do jeito que voam, se entrelaçando numa sincronia perfeita. Um deles entra em seu ninho bem em cima de onde ele está, trata seus filhotes com muito carinho e volta a voar alegremente.
Continua a admirar a paisagem quando de repente, vê logo abaixo de sua janela Mariana cabisbaixa, com as mãos sobre a cabeça, sentada em uma velha cadeira de madeira, com os cotovelos apoiados na mesa já gasta pelo tempo, pensativa e desolada.  Ele alegra-se em vê-la, acena e grita para chamar sua atenção, mas sua atitude foi em vão. Mariana continua mergulhada em sua amargura e nem se importa com os acenos do amigo. Pablo então, começa a se indagar porque ela está nesta situação, pensa e repensa, tentando achar uma maneira de reverter aquele sofrimento, até que tem uma ideia genial. Sai todo alegre em direção ao seu quarto, e volta com uma pilha de papeis em mãos e uma caneta.
Então começa a escrever um bilhete para Mariana, dobra-o em forma de avião e o arremessa em direção a sua janela, fica feliz ao ver que sua mensagem será recebida, mas de repente, um vento forte desvia o caminho do bilhete e este vai parar dentro da casa do Sr. Romão.
Sr. Romão era um velho violinista, quase não saia de casa para nada, vivia envolto em sua música, compenetrado em suas partituras, mergulhado em sua amargura. Ao ver o bilhete adentrar sua janela e pousar em sua cadeira, deixa o violino do lado, pega o bilhete e começa a ler. Há muito tempo não lia uma mensagem de otimismo, e isso alegrou um pouco seu triste dia. Esboçando um leve sorriso nos lábios, dirigiu-se até a janela muito curioso, no intuito de ver quem havia enviado o bilhete.  Sorriu ao ver que belo dia fazia lá fora.
Pablo então, resolveu escrever um novo bilhete, dobrou-o e jogou ao vento. Mas este novamente se desviou de seu destino, vindo a adentrar a janela de Carmela.
Carmela era uma senhora alegre, adorava cantar, robusta, usava maquiagem forte, batom vermelho e roupa colada, e naquele momento preparava-se para entrar no banho quando vê o bilhete pousar em sua soleira, pega-o, começa a ler, e mal termina, corre com o coração batendo forte, para saber quem seria o autor de tão belas palavras de amor e alegria. Ao olhar para cima, vê Pablo e alegra-se achando que ele está interessado em cortejá-la, já que ainda é solteira aos quarenta e cinco anos. Ela fica tão feliz que nem pode acreditar! Aperta o bilhete contra seu corpo e agradece a Deus por ter a oportunidade de ler palavras tão bonitas.
Pablo ao ver que o bilhete se desviou, escreveu outro e o envia ao vento. Ele mal acredita em seus olhos ao ver que seu bilhete desviou-se e entrou janela a dentro na casa de Victorio. Este lê seu jornal no banheiro como de costume, achando graça da notícia que dizia que as montadoras estavam impedidas de vender carros até o final do próximo ano, e já imaginando que com mais carros velhos nas ruas, seu negócio como mecânico de automóveis começaria a dar mais lucro. Victorio gargalhava, no momento em que o bilhete entra direto em sua boca.
Novamente o bilhete não chega a seu destino, com isso Pablo sem esboçar vontade de desistir, escreve mais um, que adentra a casa do Sr. Farides. Sua família se alegra aos ler as palavras de incentivo, e todos vão até a janela tentar descobrir de onde vem esse misterioso bilhete.
Pablo escreve mais um, e este vai parar na casa do Sr. José Alencar, que naquele momento está sentado na poltrona favorita de Marta, sua falecida esposa, mulher que ele tanto amou na vida. Sr. José chora ao ver o retrato de Marta, sofrendo pela sua ausência, sentido saudades dos momentos que juntos sentavam naquela mesma sala para conversar até tarde, enquanto ela tricotava e ele via o jornal, quando o bilhete pousa bem ao lado do porta- retrato. Ele abre o bilhete e o lê, ficando feliz pelo menos por um instante.
Pablo nem imagina o bem que está espalhando aos seus vizinhos, e mesmo sem saber, continua a escrever e a enviar bilhetes ao vento, na esperança que um chegue até Mariana.
Enquanto escrevia, todos os seus vizinhos que receberam seus bilhetes, estavam em suas janelas tentando entender porque ele havia resolvido espalhar alegria naquela manhã, quando finalmente um dos bilhetes de Pablo adentra a janela de Mariana, espetando seu braço e chamando sua atenção.
Ela olha descrente para o bilhete, abre com curiosidade e o lê, e quando olha para fora para ver quem enviou, percebe que todos os seus vizinhos de tantos anos estão nas janelas, acenando para ela, desejando que o que tem lhe deixado triste passe num instante. Mariana então, num sinal de agradecimento, pega caneta e papel e retribui o bilhete, fecha os olhos e solta o bilhete ao vento. Todos os seus amigos tentam pegar, mas todas as tentativas são em vão. Ele chega bem perto da janela de Pablo e este com todo esforço do mundo tenta agarrá-lo, quando naquele momento bate um vento forte e o direciona para cima do telhado. As horas passam, e o bilhete continua lá, enfrentando sol, vento, chuva, enfim quando vem uma tempestade este é levado para dentro da casa de Pablo. 
Pablo que estava tão triste e curioso, querendo saber o que dizia o bilhete de Mariana, mal acredita em seus olhos ao ver o bilhete em suas mãos. Abre rapidamente o bilhete e o lê feliz por poder ter a oportunidade de receber um bilhete tão carinhoso vindo de Mariana. Dirigiu-se até a janela e pode ouvir o som das gargalhadas de seus vizinhos tão alegres.
Pablo não sabia, mas espalhar aqueles bilhetes com palavras de incentivo e alegria, fez a diferença na vida de seus amigos, e agora estava tendo a resposta do que tanto desejou, que era fazer do dia triste de sua amiga, um dia melhor, com carinho e simplicidade, e em troca, ganhou a gratidão de seus amigos por tê-los feito tão felizes em um momento onde muitos estavam envoltos em melancolia e desânimo.
Ele então nos mostrou que, quem semeia amor, espalha alegria e colhe felicidade.





Ana Carolina Brino
Aluna do 1° semestre em Gestão de Recursos Humanos - EAD Unifran

(Baseado no filme de Sylvain Vincendeau - Paroles en L'Air)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Conmigo


Y me dije entonces
como si a otro fuera:

Vete al claro espejo
dile que te mire
(ve como no es feo
ser como tú eres?)
Es que a veces duele
ver que el tiempo pasa!
 
Google Images
Eso es de la vida
todas las personas
tienen cosas bellas
aunque viejas queden!

Impórtate de adentro
todo lo que lleves
hazte balsas leves
nada hasta que llegues!

Si te duele algo
fíjate si quieres
cambia lo que puedas
deja lo que quede

Habla cuando veas
que ayudar se puede
cállate si sabes
que al decir te hieres

Lee pues te gusta
si no hay tiempo
hazlo
Tienes tú contigo
pequeños poderes:
ríete de cosas
que parezcan toscas
mismo que esas cosas
sean las que tienes
Duerme un poco menos
come cosas  leves
anda por las calles
mismo cuando llueva

y entonces jubílate
eso es cosa buena
usa el tiempo entero
para lo que quieras.
Canta, salta, corre:
encuéntrate con él
llévate al amor
que el amor
te lleve!

Maria Cristina Dobal Campiglia
Aluna do 4° Período Letras Espanhol - EAD Unifran